Ciku Kimeria

10 OUTUBRO / OCTOBER
11.00-11.30 h / 11.00-11.30 am
LOCAL / PLACE: Fundação Fernando Leite Couto – FFLC

TEMA: WANDERLUST, MOBILIDADE E O PASSAPORTE

THEME: WANDERLUST, MOBILITY AND THE AFRICAN PASSPORT

Cresci em Nairobi, no Quénia, li muitos livros sobre viagens e aventuras e sempre ansiei pelo momento em que poderia visitar alguns dos lugares que havia lido em livros ou visto em documentários.
LER MAIS ↓
Algo que nunca questionei foi o porquê da maioria das pessoas que viajam, falam ou escrevem sobre viagens – mesmo no meu continente – serem na sua maioria homens e maioritariamente brancos. Em 2016, o Banco Africano de Desenvolvimento (AfDB) publicou a primeira edição do relatório Africa Visa Openness onde foi avaliada a facilidade de viajantes Africanos visitarem outros países do continente. A maior descoberta foi que os Norte-Americanos têm maior facilidade de acesso ao continente do que os próprios Africanos. Começou então a tornar-se claro porque é que as pessoas que escreviam ou faziam documentários sobre viagens no meu continente não se pareciam comigo.

Até hoje já viajei por 51 países, dos quais 19 em África. Esperei ter dificuldades em pedir vistos para outros lugares mas nunca me apercebi que viajar pelo meu próprio continente poderia ser uma tarefa tão desanimadora. Quando este relatório foi publicado, eu estava num processo de pedido de múltiplos vistos porque havia planeado uma viagem como backpacker através da plataforma Couchsurfing por vários países como a Costa do Marfim, o Burkina Faso, o Togo e o Benin.  Como Pan-Africana e apaixonada pelo meu continente, ainda quero visitar todos os seus países, mesmo sendo mais complicado, mais caro e logisticamente mais difícil para mim do que para visitantes não africanos. É esta a causa a que me dedico.

Desde 2016, têm havido algumas melhorias que, esperamos, significarão que, no futuro, os africanos poderão viajar mais facilmente em África. Com o tão esperado Acordo Africano de Livre Comércio Continental (AfCFTA) e a viabilização do Protocolo de Livre Circulação no continente, existe, teoricamente, a esperança de maior flexibilização no movimento de pessoas, bens e mão-de-obra no continente.

Mesmo antes da implementação do AfCFTA, diversos países da região adoptaram medidas de facilitação no processo de obtenção de vistos para Africanos. Com a criação do Mercado Único de Transporte Aéreo Africano (SAATM)  da União Africana, haverá mais ligações no continente e a custos mais reduzidos.

São boas notícias, mas a realidade é que precisamos de agir com mais rapidez rumo a um continente que permita o livre movimento de mercadorias, mão-de-obra e pessoas. Isto não é um problema que diz respeito de algumas elites com muito dinheiro que pretendem viajar mas têm passaportes ‘fracos’. Trata-se de um continente com uma população jovem em franco crescimento, com altas taxas de desemprego e inserido numa economia global em que mais rapidamente se erguem muros do que pontes. Para sobreviver nas próximas décadas, o continente precisa facilitar a mobilidade de pessoas, bens e serviços.

Growing up in Nairobi, Kenya, I read books of travel, adventure and looked forward to the time when I would be able to go to some of the places I read about in books or watched in documentaries.
READ MORE ↓
One thing that I had never questioned was why most of the people traveling, talking or writing about travel – even in my own continent were mostly male, mostly white. In 2016, the The African Development Bank (AfDB) published the first edition of the Africa Visa Openness report assessing how easy it is for African travelers to visit other countries on the continent. The biggest finding was that North Americans have easier travel access to the continent than African themselves. Now it made sense why the people writing or making documentaries about traveling on my continent, never looked like me.

I have traveled to 51 countries to date, 19 of them in Africa. I always expected to have difficulties applying for visas to other places, but I had never realized that even traveling on my own continent would be a daunting task. At the time of the report’s launch, I was jumping through various visa hoops as I planned a solo backpacking couchsurfing roadtrip through Ivory Coast, Burkina Faso, Togo and Benin. As a pan africanist and someone who loves my continent, I still want to travel to every part of it, even if it will be harder, more expensive and more logistically difficult for me than for non-africans. It’s my chosen labor of love.

Since 2016, there have been some improvements that could hopefully mean it will get easier in future for Africans to travel in Africa. With the long awaited African Continental Free Trade Agreement (AfCFTA) and the Free Movement Protocol coming closer to fruition on the continent, there is theoretically hope for an easing in the movement of people, goods and labor within the region. Even before AfCFTA’S implementation, several countries in the region are easing visa restrictions for Africans.  The African Union’s Single African Air Transport Market (SAATM) will connect the continent more and reduce the cost of flights.

All this is good news, but the reality is that we need to move faster towards a continent that allows freer movement of goods, labor and people. It’s not a trivial matter of a few deep-pocketed elites with unfortunate passports who want to travel. It’s about a continent with a large, young growing population, high unemployment rates and a global economy where walls are being built faster than bridges. To survive in the next few decades, the continent needs to embrace mobility of its people, goods and services.

SOBRE A ORADORA

 

Ciku Kimeria é uma autora Queniana “Of goats and poisoned oranges“, consultora de desenvolvimento & comunicação, aventureira e blogger de viagens. Escreve tanto ficção como não ficção, concentrando-se em histórias africanas que precisam ser contadas, com publicações em diversas agências de informação e media como Ozy, Quartz, The Africa Report e Okayafrica.

Actualmente a viver em Dakar- cidade para onde se mudou em 2016, altura em que trabalhava para a Dalberg Avisors uma empresa global de consultoria em estratégia, como Gestora de Comunicação Regional para África. Juntou-se à Dalberg em 2009 como Consultora Associada depois de se formar em Massachusetts Institute of Technology (MIT) com um Bacharelato em Gestão.

Trabalhou quase seis anos como consultora antes de mudar o curso da sua carreira para a comunicação / escrita. Trabalhou na Dalberg até meados de 2018 e saiu para se concentrar na escrita.

Actualmente, está a editorar o seu segundo romance, a fazer colaborações para algumas agências de media focadas em África e ainda a trabalhar em part time como consultora de comunicação para diversas organizações na área de desenvolvimento  (Fundo Africano de Investimento em Agricultura e Comércio (AATIF), The Open Society Initiative in West África (OSIWA), Niyel and Dalberg Advisors.

Enquanto consultora, a Ciku publicou o seu primeiro romance “Of Goats and Poisoned Oranges“. Alguns dos seus artigos de não-ficção incluem  challenges of traveling in Africa for Africanschallenges of traveling as an African elsewherereligious solidarity in Senegal, the joys of traveling round the pink lake in Senegal, the legacy of Cesaria Evora in Cape Verde, the story of Afro-Cuban music in Senegal, stories on the new Museum of Black Civilizations in Dakar etc. 

ABOUT THE SPEAKER

 

Ciku Kimeria is a Kenyan author “Of goats and poisoned oranges“, development & communication consultant, adventurer and travel blogger. She writes both fiction and non-fiction focusing on African stories that need telling and has been published by several media houses including Ozy, Quartz, The Africa Report and Okayafrica. She has traveled to 51 countries – 19 of them in Africa.

She currently lives in Dakar – a city she moved to in 2016 when she was working as the Africa Regional Communication Manager at a global strategy consulting firm – Dalberg Advisors.  She joined Dalberg in 2009 as an Associate Consultant after graduating from the Massachusetts Institute of Technology (MIT) with a BS in Management Science. She spent close to 6 years working as a consultant before switching career paths to communication/writing. She was at Dalberg until mid-2018 and left to focus on her writing. She is currently editing her second novel, freelancing with a few Africa focused media houses and serving as a part time Communication Advisor to various organizations working in the development space (The Africa Agriculture & Trade Investment Fund (AATIF), The Open Society Initiative in West Africa (OSIWA), Niyel and Dalberg Advisors.)

While still in consulting, Ciku published her first novel “Of Goats and Poisoned Oranges.” Some of her non-fiction articles include those on the challenges of traveling in Africa for Africanschallenges of traveling as an African elsewherereligious solidarity in Senegal, the joys of traveling round the pink lake in Senegal, the legacy of Cesaria Evora in Cape Verde, the story of Afro-Cuban music in Senegal, stories on the new Museum of Black Civilizations in Dakar etc. 

PATROCINADORES

Sponsors

 

SOBRE O MAPUTO FAST FORWARD

About Maputo Fast Forward
O Maputo Fast Forward é uma plataforma dedicada à Criatividade e à Inovação em Moçambique. O seu objectivo é ser um espaço de referência dedicado, à reflexão, ao debate, à apresentação de projectos e ideias, à análise de tendências, à troca de experiências e à constituição de redes entre todos aqueles que, das artes às ciências, da tecnologia ao design, da arquitectura aos media, da gastronomia à moda, das empresas às organizações sociais, reconhecem na criatividade e na inovação os motores da nova economia do conhecimento.

MFF was launched in 2016 as an open platform engaged in promoting creativity and innovation. Its main objective is to help Mozambican creators and innovators across all fields of activity (arts, culture, design, architecture, technology, etc.) to develop and present their projects, engage in fruitful trans-disciplinary debates and develop collaborations in order to establish an ecosystem that will allow them to expand their creative skills and to participate, through the exploration of networking opportunities, in the “global conversation” that is taking place within the “creative industries” sector.

 

maputofastforward.com

UMA INICIATIVA DA