Sara Jona

11 OUTUBRO / OCTOBER
10.00-10.30 h / 10.00-10.30 am
LOCAL / PLACE: Fundação Fernando Leite Couto – FFLC

TEMA: SOBRE A PLASTICIDADE DAS LÍNGUAS E DAS CULTURAS

THEME: ON THE PLASTICITY OF LANGUAGES AND CULTURES

Tenho trabalhado no fomento da interculturalidade, dando enfoque à linguagem e à identidade, para demonstrar que não deve existir supremacia de uma cultura sobre a outra, mas sim convivência; pelo que a humanidade deve ser ensinada a conhecer e a lidar com culturas diferentes. Isto é consensual em estudos na área das Ciências Sociais e Humanas.
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Nessa lógica e a partir do que a prendi numa pesquisa que serviu para compôr o Dicionário de Português-Gitonga/Gitonga-Português com Compêndio Gramatical do qual sou co-autora com Amaral Amaral e de Filipe Nhacota, apresentarei exemplos de correspondência ou de equivalência que pode ser estabelecida entre fenómenos de diferentes culturas, a partir da função que desempenham na sociedade.

Nessa pesquisa, fizémos um levantamento de palavras do gitonga, para as traduzir para o português e verificámos que, algumas palavras do português como deputado, globalização, democracia, entre outras, que assumíamos não existirem no gitonga eram traduzidas, pelos falantes dessa língua, a partir de uma explicação ou da função que tinham.  Isso demonstrou a validade dos Universais Linguísticos, que defendem que todas as línguas do mundo têm capacidade de alargar o seu léxico, para a integração de novos referentes, o que prova a elasticidade da língua. Está provado, por outro lado, que as culturas são dinâmicas.

Será assim que, à semelhança do que acontece com todas as línguas humanas – que tal como o defendem os Universais Linguísticos têm propriedades comuns – mostrarei que as culturas também o podem ter, se considerarmos a ideia de Confúcio de que a natureza humana é igual e que os hábitos é que os mantêm diferentes. Ou seja, estando provada a existência da  elasticidade da língua e da cultura, haverá, também, na minha óptica, a sua tradutibilidade assente não na linearidade preconizada pela tradução à letra, mas na utilização do pragmatismo que permita o intercâmbio ou intelegibilidade de línguas entre si e de culturas entre si, porque é isso que dá sentido à existência humana.

I have been working to spread interculturality, giving focus to language and identity, to demonstrate that there shouldn’t be any supremacy of one culture above another but instead co-existence; so humanity should be taught to know and deal with different cultures. This is consensual in studies in both Social and Human Sciences.
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In that sense, and taking into account what I’ve learned while researching for the Portuguese-Gitonga/Gitonga-Portuguese Dictionary with Grammatical Compendium by Amaral Amaral and Filipe Nhacota of which I am also a co-author, I presented examples of correspondence or of the equivalence that can be established between phenomenons from different cultures based on the function they develop in society.

In this research we collected Gitonga words to translate into Portuguese and saw that some words from the Portuguese language like “congressman”, “globalization”, “democracy” and others that we assumed to not exist in Gitonga were translatable by the speakers of that language if they were provided with an explanation of the function of the word. That demonstrated the validity of Linguistic Universals, a concept that argues that every language in the world has the capacity to expand its lexicon to integrate new terms, which proves the elasticity of language. It’s proven, on the other hand, that cultures are also dynamic.

This is the reason then, similarly to what happens with all human languages, that in the same way that Linguistic Universals defend commonality of properties, I will demonstrate that cultures can also have commonality of properties, if we consider Confucius’ idea that human nature is like habits and that habits are what keeps them different. In other words, language and cultures’ elasticity being a proven fact, it should be equally factual, in my view, that their translatability does not rest on the linearity predetermined by literal translations but in utilizing pragmatism that allows for the exchange or intelligibility of languages between each other and of cultures between each other, because that’s what gives meaning to the human existence.

SOBRE A ORADORA

 

Sara Jona é Doutorada em Literaturas e Culturas em Língua Portuguesa pela Universidade Nova de Lisboa. Docente na Universidade Politécnica. Consultora em avaliação de qualidade de ensino.

Autora de livros, de manuais de ensino, de artigos publicados em livros e em revistas indexadas.

Dinamiza, há três anos, um evento académico denominado “Tertúlias Itinerantes”, que discute o tema “interculturalidade”. Há 18 anos mantém um outro programa de incentivo ao gosto pela literatura designado “Tertúlias de Sábado”. Colabora no jornal electrónico 7 Margens.

Tem sido júri em concursos literários e participado como conferencista em universidades nacionais e internacionais.

ABOUT THE SPEAKER

 

Sara Jona has a PhD in Portuguese Literatures and Cultures (Universidade Nova de Lisboa, Portugal) and is currently a teacher at the Politécnica University in Maputo.

Her main domain of interest and research is in the area of Intercultural Studies with a particular focus on language and identity.

She has published several books and academic articles for the last 18 years on these topics and participated in various international conferences.

She is co-author of the Portuguese-Gitonga/Gitonga-Portuguese Dictionary.

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SOBRE O MAPUTO FAST FORWARD

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O Maputo Fast Forward é uma plataforma dedicada à Criatividade e à Inovação em Moçambique. O seu objectivo é ser um espaço de referência dedicado, à reflexão, ao debate, à apresentação de projectos e ideias, à análise de tendências, à troca de experiências e à constituição de redes entre todos aqueles que, das artes às ciências, da tecnologia ao design, da arquitectura aos media, da gastronomia à moda, das empresas às organizações sociais, reconhecem na criatividade e na inovação os motores da nova economia do conhecimento.

MFF was launched in 2016 as an open platform engaged in promoting creativity and innovation. Its main objective is to help Mozambican creators and innovators across all fields of activity (arts, culture, design, architecture, technology, etc.) to develop and present their projects, engage in fruitful trans-disciplinary debates and develop collaborations in order to establish an ecosystem that will allow them to expand their creative skills and to participate, through the exploration of networking opportunities, in the “global conversation” that is taking place within the “creative industries” sector.

 

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